Terror – Atentado ao Terror 1968
Horror na cara de pessoas tortas.
Inocência na cara de pessoas mortas.
Fogo e água jamais se juntam em tempos de guerra.
O silêncio foge pelas esquinas.
O Fedor está em todas as latrinas.
Vitrines de roupas...
[...] Tornam-se local de refrigeração para cadáveres.
Nunca pensei que seria tão rápido.
A morte de um descrente.
A incredulidade daquele que é crente.
Toda fé é pouca quando se vê a morte nos olhos.
Dizem que Deus é onipresente, irmão, guerreiro, fiel, honesto.
Mas só vejo desgraça.
E toda desgraça não me traz um sentimento de honestidade ou ao menos de fé.
É fácil dizer que Ele é o maior.
Quando nós somos os ‘menores’
Dá-se devida importância aos soldados.
Que hoje, invés de lutarem, voltam a Idade Média fazendo Cruzadas.
Uma vez pensando que um dia isto os salvaria.
Mas, enquanto se amanhece.
Nunca vi tão lúgubre escuridão.
Dia se torna noite e o entardecer me comove com a cor do céu vermelho sangue.
Tudo que sei, é que honestamente, não sei de absolutamente nada.
Escrevo cartas para meus superiores.
E não recebo nenhum tipo de respostas.
Mas, do que me importa?
Do que me importa estar em guerra.
Ser enterrado na terra
Pátria mãe!
Meu pávido Colosso!
Terra abençoada por Deus.
Nascido em Berço esplêndido!
Do Seul ao Brasil.
Monotonias mil.
Saudei o soldado... Que com a bandeira branca carregava em suas mãos.
Já no Rigor Mortis, ele havia escrito a carta, que em forma de poema, tornou-se recíproca mundial...
Sem saber... Que esta recíproca um dia seria lida.
E que as coisas ficariam cada vez piores.
Armas seriam substituídas por canivetes e “socos verbais”.
Hoje, enfrentamos a pior guerra de todas: “As guerras consigo mesmos”
Infelizmente, o que já era opaco, virou translúcido.
A solidão era regra.
A infelicidade era o começo do fim.
Não existia mais solidariedade.
Só horror e piedade.
Lírios forravam as sepulturas.
Dos que, desde sempre, lutaram por justiça.
Quiseram um lugar ao sol.
Porém, que, só conseguiram um lugar a sombra de seu túmulo.
Perguntas: “Que mundo é esse; como consegui “perder minha cabeça”; se eu tinha tudo, agora, como não tenho nada; qual é a cor do pôr do sol; qual tipo de mundo você quer?”.
Respondei-vos numa voz além-silenciosa:
“Não faço história, escrevo sobre guerras, nesta tão árida terra. Dias de seca impregnam toda sensatez dos ossos, que, felizmente, só são poeira. Soube que um dia, me entranhei em tão vaga melodia, cantarolava na solidão de um solstício. Depois, vi que era total desperdício. Enfim, se as nuvens são vermelhas, então, qual será a cor de nosso coração?”
Meu juramento é:
“Amarei-te a qualquer custo, juro servir-te até fim, mas, enfim, descobria a essência de todo fim. Venha para casa, dou-te abrigo, sereis teu guia, e tu serás minha luz.”
Amém.

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